quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

18/12/2013




Tudo o que vive, vive para sempre. Somente o invólucro, o que é perecível, desaparece. O espírito não tem fim. É eterno. Imortal.

 O "BAGHAVAD   GITÂ"  ou "A CANÇÃO DE DEUS"  ["The Song of the Bhagavan" (*)] Índia( século IV a.C.).

O Bhagavad-Gitâ,  em grafia portuguesa Bagavadguitá (que lhe dá também a pronúncia correta) e em sânscrito भगवद्गीता (a língua em que foi escrito),   constitui um dos mais profundos livros da espiritualidade indiana, estando, atualmente, traduzido em quase todas a línguas do mundo e tem  intrigado a mente de quase todos  os grandes pensadores humanos e influenciado em inúmeros movimentos  espirituais, desde que foi escrito , no século IV a.C. e incluído no  épico  hindu Mahabharata.
 
 Assim como a nossa Bíblia Cristã , o Bhagavad-Gitâ utiliza a técnica da parábola. A diferença de  contexto é que , no primeiro caso, são incluídas várias parábolas e, no Gitâ, como é conhecido de uma forma mais  simplificada, trata-se de apenas uma grande parábola. A nossa Bíblia é  escrita em  estilo narrativo, em  vários Livros e Evangelhos. Já o Gitâ é em estilo de poesia, narrada em  700 versos, divididos em  18 Capítulos. O 1º Capítulo tem o título  "Tristeza sobre as Consequências da Guerra" e, o 18º, "A Revelação Final e a Verdade Absoluta".
 
Pequeno resumo do texto do Gitâ e suas duas interpretações principais : (**)
 
Foi difundido no Ocidente, ao final da primeira metade do século passado, pelo monge Veda que decidiu vir da Índia especialmente para nos trazer os seus textos, Bhaktivedana Swami Prabhupada, que escreveu o livro, traduzido para o português, no qual  ele mesmo faz a tradução do sânscrito  para o inglês e comenta todo o contexto do Bhagavad-Gitâ : "O Bhagavad-Gitâ - Como Ele É".
 
Trata-se de um diálogo entre  o Senhor Krishna, que vem personificado como ser humano na figura do  cocheiro da carruagem de guerra do Rei,  o grande guerreiro Arjuna, que se encontra no meio de um campo de batalha e de repente suspende a guerra por se sentir tomado por  um drama de consciência sobre as consequências morais e éticas da sua continuidade. É então que surge a figura do cocheiro, reconhecida pelo outro como o seu Deus que , passo a passo do intenso e profundo  diálogo que então se trava entre eles o vai instruindo  sobre  as razões da existência e a finalidade das  nossas posições frente às dificuldades  que nos impõe o nosso papel neste mundo, e a forma como devem ser recebidos os encargos terrenos. Arjuna recebe, ao final  a tranquilidade espiritual necessária e toma a sua decisão, recebendo, a essa altura, pela sua  intensa compreensão de todas as coisas a serem feitas sob uma moral e ética supremas da unidade universal, a sua  iluminação . Aceita, então, o seu destino nessa vida terrena, imprimindo  nele todo o ensinamento que ali lhe foi transmitido pelo Senhor Krishna.
 
O conteúdo do Gitâ não se confina a apenas uma  religião, mas espraia-se  à síntese de diversos princípios morais e espirituais de diversas religiões e de princípios intelectuais procedentes de experiências vivenciais, procurando conciliar os diversos pensamentos e fazer uma síntese  de diversas áreas do pensamento religioso e filosófico do Oriente. Assim como  as parábolas inscritas em nossa Bíblica Cristã, a Grande Parábola do Gitâ  possui inúmeras interpretações, das quais resumimos  as duas mais conhecidas:
 
1a. interpretação : o Senhor Krishna, uma das encarnações de Vixnu (Deus na religião Védica, a que pertencem os ensinamentos contidos no Gitâ) vem instruir  Arjuna para que o mesmo atinja sua  elevação espiritual,  cuja oportunidade se apresenta a todos nós, mais cedo ou mais tarde, em razão de um o acontecimento extraordinário em nossa vida(um "drama existencial"). No caso do Gitâ, esse drama ocorre em razão da grande dúvida moral e ética  que  acomete Arjuna  no campo de batalha, por ser ele, ali, o único "Senhor da Guerra" da Nação governada por ele, cabendo-lhe decidir sobre a vida e a morte de inúmeras pessoas e os destinos de vários povos. O guerreiro Arjuna representaria, segundo essa interpretação,  o papel da alma confusa sobre o seu dever e  que recebe a iluminação diretamente do Senhor Krishna , o qual  assume a forma humana para poder estabelecer o necessário diálogo para  instrui-lo na ciência da auto-realização :  por isso o título do último capítulo e também a forma  assumida de cocheiro, para que fique bem próximo ao seu discípulo na circunstância da guerra.
 
2a. interpretação : Arjuna e o Senhor Krishna significam a luta interna travada por cada ser humano, mais cedo ou mais tarde, que desperta a  busca de sua evolução espiritual. O guerreiro Arjuna seria o nosso Ego, ainda com um sentido individualista de ética e moral mais preso ao elemento material e individualista  das relações humanas; o Senhor Krishna  é o ser espiritual do indivíduo voltado para o Todo  Universal, que se sobrepõe  à visão meramente material  da vida que cada indivíduo tem neste mundo. O diálogo entre esses dois componentes de nossa "psique"  é que pode reduzir a influência  do Ego em nossa personalidade ;  e a sobreposição do nosso elemento  imaterial a ele é que nos torna uma  pessoa  mais próxima da perfeição humana, que todas as religiões e filosofias perseguem.

Geralmente, esses grandes diálogos interiores por que passamos se dão em decorrência de um ou mais  grandes   "dramas  existenciais " que todos temos em nossas vidas e que colocam em cheque a nossa visão de moral e ética. Aquele elemento em nós que se sobrepuser ao outro é que dará o sentido de nossa evolução moral, ou não.
  _______________
(*)  Bhagavan  - Em algumas tradições do Hinduísmo  é usado para indicar o Ser Supremo ou a Verdade Absoluta, mas com uma referência específica de que esse Supremo Bem está possuído de uma personalidade (um Deus Pessoal). Esta apresentação pessoal  como Bhagavan  diferencia sua utilização  de outros termos similares, como Brahman, o "Espírito Supremo" ou "Espírito", e então, nessa forma de utilização, Bhagavan , em muitos aspectos, é análogo à concepção geral de Deus no Cristianismo.
 
Bhagavan, uso como um título de veneração, é geralmente traduzido como "Senhor", como se tem em "Bhagavan Rama", "Bhagavan Krishna", "Bhagavan Shiva", etc. No Budismo e no Jainismo, Gautama Buda, Mahavira e outros Tirthankaras, Budas e bodhisattvas são também venerados com esse título. O feminino de  Bhagavat é Bhagawatī  e é um epíteto (alcunha , cognome ou apelido) de Durga e outras deusas.
 
O título é também usado por vários mestres espirituais da Índia que  afirmam serem Bhagavan ou terem realizado a experiência impessoal Brahman. (tradução nossa,  de texto compilado do website  em inglês , cujo texto original vai abaixo : http://en.wikipedia.org/wiki/Bhagavan )
 
"In some traditions of Hinduism it is used to indicate the Supreme Being or Absolute Truth, but with specific reference to that Supreme Being as possessing a personality (a personal God).[2] This personal feature indicated in Bhagavan differentiates its usage from other similar terms[3] such as Brahman, the "Supreme Spirit" or "spirit", and thus, in this usage, Bhagavan is in many ways analogous to the general Christian conception of God.
 
Bhagavan used as a title of veneration is often translated as "Lord", as in "Bhagavan Rama", "Bhagavan Krishna", "Bhagavan Shiva", etc. In Buddhism and Jainism, Gautama Buddha, Mahavira and other Tirthankaras, Buddhas and bodhisattvas are also venerated with this title. The feminine of Bhagavat is Bhagawatī and is an epithet of Durga and other goddesses.
 
The title is also used by a number of contemporary spiritual teachers in India who claim to be Bhagavan or have realized impersonal Brahman."

(**) Você pode ver:
1) o índice do Bhagava-Gitâ , em português, e o conteúdo em outras línguas, inclusive no espanhol, no site:
http://www.bhagavad-gita.org/index-portuguese.html
2) o livro de  Bhaktivedana  Swami Prabhupada traduzido para o português, no site :
http://vrinda.vaisnava.hu/vrindastudio/portugues/bhagavadgita.pdf

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