02/11/2013
Neste dia de homenagem aos mortos, vou contar-lhes a história de
ORFEU E EURÍDICE
Orfeu, filho da musa Calíope e do deus Apolo, era belo e forte e possuía uma alma sensível. Era poeta e músico. Quando tocava a sua lira, que lhe fora dada pelo seu pai, os pássaros paravam de voar para ouvi-lo, os animais selvagens perdiam o furor e as árvores se curvavam para ouvir o seu som que os ventos, transformados em suaves brisas, lhes traziam.
Era casado com a bela Eurídice e viviam felizes. Um dia, um homem, chamado Aristeu, ao vê-la, desejou-a e assediou-a. Para livrar-se dele, a linda moça saiu correndo pela mata, tropeçou, caiu e uma serpente a picou, matando-a.
Quando Orfeu soube de sua morte, foi até o reino do deus Hades, onde ficavam as almas dos humanos mortos, para procura-la. Como era vivo, o barqueiro Caronte, cuja função era levar os mortos para lá através do Rio Estige, o único a saber o caminho, recusou-se a leva-lo. Então, Orfeu , triste, começou a tocar e a cantar toda a história da perda de sua amada. A música e a poesia eram tão lindas, o sofrimento tão apaixonado, que Caronte se emocionou e deixou-o subir em seu barco e levou-o até as portas do reino da morte, que ele deveria atravessar para chegar até onde estava a sua amada. Deixado ali, foi andando, continuando a sua música. Ao ouvi-la, o selvagem guardião, Cérbero, o cão de três cabeças, tornou-se manso como um gatinho e, manhosamente, adormeceu. As almas, no interior, aliviavam os seus tormentos no Inferno, enquanto Orfeu ia passando com sua maravilhosa música tirada da sua lira , que o obedecia, transmitindo a todos os seus sentimentos de esperança.
O deus das Sombras do Reino da morte, o Senhor Hades, de início, ficou irritado ao ver um vivo invadir os seus domínios. Mas, ao ouvir a maravilhosa música, pediu que Orfeu lhe tocasse algo que o fizesse esquecer seu tormento em viver eternamente no reino dos mortos e, em troca, lhe devolveria a alma de Eurídice. E assim foi feito e o deus se enterneceu com a melodia e teve momentos de alegria. Mandou buscar Eurídice e ordenou que os dois retornassem ao Mundo dos Vivos. Mas fez uma exigência - o rapaz deveria seguir à frente e a moça atrás , mas ele não deveria olhar nenhuma vez para ela, até chegarem à superfície. Se o fizesse, ele retomaria a sua alma e Orfeu perderia Eurídice para sempre. Enquanto andavam na escuridão do Mundo das Trevas, Orfeu ia tocando sua lira e olhando em frente, mas quando apareceu o primeiro raio do Sol, não se conteve e virou-se para certificar-se de que Hades cumprira sua palavra. Então avistou o doce espectro da sua amada, que, diluindo-se com a luz, soltou um longo gemido de dor pelo amor eternamente perdido e desapareceu para sempre.
Orfeu voltou sozinho para o reino dos vivos, e ali permaneceu por longo tempo vagando pelas cidades e pelos caminhos, tocando suas tristes canções. Quando passava por uma mata, perto de um rio, umas mulheres selvagens, as Mênades, vieram para ele e tentaram conquista-lo. Como ele recusou suas súplicas, elas, desprezadas, vingaram-se, cortando-o em pedacinhos, deixando-os ali no chão. A cabeça, atiraram ao Rio Hebrus, que já quase morta, ainda murmurava, acompanhando o leve farfalhar das suas ondas, o nome da amada, em um último suspiro : "Eurídice! Eurídice...".
Assistindo a tanto sofrimento, as nove musas que moravam no rio se comoveram, juntaram todos os pedacinhos de Orfeu à sua cabeça e o levaram para o Monte Olimpo e ali o enterraram. Seu pai, Apolo, acolheu a sua alma e pediu a Zeus, o pai dos deuses, e este autorizou que voltasse com o filho à caverna que abre os caminhos para o Reino das Trevas e resgatasse a alma de Eurídice, para morarem com os deuses para sempre.
As Mênades foram castigadas pelas ninfas, que as transformaram em troncos grossos de árvores, como o carvalho. Os ventos da floresta, tendo assistido ao cruel fim do seu cantor, ficaram enraivecidos, tornaram-se furiosos, varrendo todo o local, onde, em vida, Orfeu cantava para eles e as notas de sua lira amenizavam os seus fervores, tornando suas céleres correrias em suaves brisas. Fustigaram aqueles troncos com energias aterradoras, e, por fim, terminaram por jogá-los ao chão, sem vida.
Dizem que os rouxinóis do Monte Olimpo, desde essa época, passaram a ter um canto muito doce e magnífico. E desceram dali e voaram para todos os cantos do Mundo, para trazerem a alegria perdida com a mudez da lira de Orfeu. E o seu canto, impregnado pela eterna música que o poeta tocava para sua querida Eurídice, trazem felicidade a quem escuta os seus maravilhosos trinados.
Assista, agora, a Luciano Pavarotti cantando canções para Orfeu e Eurídice :
https://www.youtube.com/watch?v=8Okcd21d5tg&feature=player_detailpage




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