segunda-feira, 4 de novembro de 2013


02/11/2013

                          Neste dia de homenagem aos mortos, vou contar-lhes a história de

                                                ORFEU E EURÍDICE



              
                 Orfeu, filho da musa Calíope e do deus Apolo, era belo e forte e possuía uma alma sensível. Era  poeta e músico. Quando tocava a sua lira,  que lhe fora dada pelo seu pai, os pássaros paravam de voar  para ouvi-lo, os animais selvagens  perdiam o furor e as árvores se curvavam para ouvir o seu som  que os ventos, transformados em suaves brisas, lhes traziam.
 
                Era casado com a bela Eurídice e viviam felizes. Um dia, um homem, chamado Aristeu, ao vê-la, desejou-a e assediou-a. Para livrar-se dele,  a linda  moça  saiu correndo pela mata, tropeçou, caiu e uma serpente a picou, matando-a.
 
               Quando  Orfeu soube de sua morte, foi até o reino  do deus  Hades, onde ficavam as almas dos humanos mortos, para procura-la. Como era vivo, o barqueiro Caronte, cuja função era levar os mortos para lá  através do Rio Estige, o único a saber o caminho, recusou-se a leva-lo. Então, Orfeu , triste, começou a tocar e a cantar toda a história da perda de sua amada. A música e a poesia eram tão lindas, o sofrimento tão apaixonado, que Caronte se emocionou e  deixou-o subir  em seu barco e levou-o até as portas do reino  da morte, que ele deveria atravessar para chegar  até onde estava a sua amada. Deixado ali, foi andando, continuando  a  sua música. Ao ouvi-la, o selvagem  guardião, Cérbero, o cão de três cabeças, tornou-se manso  como um gatinho e, manhosamente, adormeceu. As almas, no interior, aliviavam os seus tormentos no Inferno, enquanto Orfeu ia passando com sua maravilhosa música  tirada da sua lira , que o  obedecia, transmitindo a todos os  seus sentimentos de esperança. 
 
 
 
 
             O deus das Sombras do Reino da morte, o Senhor Hades, de  início, ficou  irritado ao ver um vivo invadir os seus domínios. Mas, ao ouvir  a maravilhosa música, pediu que Orfeu lhe tocasse algo que o fizesse esquecer seu tormento em  viver eternamente no reino dos mortos e, em troca, lhe devolveria a alma de Eurídice. E assim foi feito e o deus se enterneceu com a melodia e teve momentos de alegria. Mandou buscar Eurídice e ordenou que os dois retornassem ao Mundo dos Vivos. Mas fez uma exigência - o rapaz deveria seguir à frente e a moça atrás , mas ele não deveria olhar nenhuma vez para ela, até chegarem à superfície. Se o fizesse, ele retomaria a sua alma e Orfeu perderia Eurídice para sempre. Enquanto andavam na escuridão  do Mundo das Trevas, Orfeu ia tocando sua lira e olhando em frente, mas quando  apareceu  o primeiro raio do Sol, não se conteve e virou-se para certificar-se de que Hades cumprira sua palavra. Então  avistou o doce espectro  da sua amada, que, diluindo-se com a luz, soltou um longo gemido de dor pelo amor eternamente perdido e  desapareceu para sempre.
 
 
 
               Orfeu voltou sozinho para o reino dos vivos,  e ali permaneceu por longo tempo vagando pelas cidades e pelos caminhos, tocando suas tristes canções. Quando passava por uma mata, perto de um  rio, umas mulheres selvagens, as Mênades, vieram para ele e  tentaram conquista-lo. Como ele recusou suas súplicas, elas, desprezadas, vingaram-se, cortando-o em pedacinhos, deixando-os ali no chão. A cabeça, atiraram ao  Rio  Hebrus, que já quase  morta, ainda murmurava,  acompanhando o leve farfalhar das suas ondas,  o nome da amada, em um último suspiro : "Eurídice! Eurídice...".
 
 
 
 
             Assistindo a tanto sofrimento, as  nove musas que moravam no rio se comoveram, juntaram todos os pedacinhos de Orfeu à sua cabeça e o levaram  para o Monte Olimpo e ali o enterraram.  Seu pai, Apolo, acolheu a sua alma e pediu a  Zeus, o pai dos deuses,  e este autorizou que voltasse com o filho  à caverna  que abre os caminhos para o Reino das Trevas e resgatasse   a alma de  Eurídice, para  morarem  com os deuses para sempre.
 
           As Mênades foram castigadas pelas ninfas, que as transformaram em  troncos grossos  de árvores,  como o carvalho. Os ventos  da floresta, tendo assistido ao cruel fim do seu cantor, ficaram enraivecidos, tornaram-se furiosos, varrendo todo o local, onde, em vida, Orfeu cantava  para eles  e as notas de sua lira  amenizavam os  seus fervores, tornando suas céleres correrias  em  suaves brisas. Fustigaram aqueles troncos  com energias  aterradoras, e, por fim,  terminaram por jogá-los ao chão, sem vida.
 
              Dizem que os rouxinóis do Monte Olimpo, desde essa época, passaram a ter um canto muito doce e  magnífico. E desceram dali  e voaram para todos os cantos do Mundo, para trazerem a alegria perdida com a mudez da lira de Orfeu. E o seu canto, impregnado pela eterna música  que o  poeta  tocava para sua querida  Eurídice, trazem felicidade a quem escuta os seus maravilhosos trinados.

              Assista, agora,  a Luciano Pavarotti cantando canções para Orfeu e Eurídice :

           https://www.youtube.com/watch?v=8Okcd21d5tg&feature=player_detailpage

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