21/11/2013
A mais bela teoria só tem valor através das obras que realiza.
ROMAIN-ROLLAND: França (1866-1944). Brilhante Romancista, Novelista, Ensaísta, Humanista, Pacifista Militante, Biógrafo e Músico. Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1915. Doutor em Artes, foi também professor de História das Artes na École Normale de Paris e de História da Música na Sorbonne. Era de personalidade tímida e introspectiva, refugiando-se em uma vida solitária para a criação de suas obras literárias. Mas participava apaixonadamente de todos os acontecimentos de sua época. Profundo conhecedor da cultura europeia. Movido por uma imperiosa necessidade de justiça , aliada ao seu grande humanismo e à influência de grandes mestres da filosofia oriental da não violência, o seu pacifismo aflorou, notadamente após a 1a. Guerra Mundial.
Ele aprendeu a amar a música alemã através de sua amizade com uma grande intelectual alemã que conhecera e com a qual travara amizade, a já idosa Malvida von Meysenbug , quando de sua estada na Itália. Ela se refugiara em Roma após a revolução de 1848 e em seus salões , que ele frequentou, inteirou-se de toda a cultura alemã e europeia - ela recebia a nata da intelectualidade e da musicalidade europeias, incluindo Wagner, Lizt , Friedrich Nietzsche e Lou Andreas-Salomé. Voltando depois a Paris, escreveu a biografia de Beethoven, cuja música estudou a fundo, que deve tê-lo inspirado a escrever a sua obra-prima, a saga de um gênio musical alemão. Estudou e admirou os intelectuais russos, conhecendo e trocando correspondência com Léon Tolstoi.
Sobre sua obra-prima : criou um personagem seu alter-ego, de nome Jean- Christophe Krafft, cuja biografia imaginária, do nascimento à morte, descreve através de cinco volumes (inicialmente 10), cada um com aproximadamente 400 páginas, com uma rica e interessante literatura que prende o leitor, até mesmo em nossos dias, quando pouco tempo se tem para dedicar a livros constantes de tantos textos escritos. Mas é uma obra extraordinária, em que o personagem título é um genial músico alemão. Através de suas aventuras e desventuras apresenta a realidade da França no final do século XIX, com uma sociedade em decadência . Ali, Rolland traça uma crítica social, demonstrando, ao mesmo tempo, intenso conhecimento da alma humana, e acrescenta às suas páginas muitas belas passagens filosóficas e de idealismo patriótico aliado a um humanismo internacionalista, com um intenso sentimento de justiça.
Inicialmente, Rolland apoiou a revolução bolchevique, mas, depois de observar os seus rumos, passou a ser o seu mais ferrenho opositor, assim como também do fascismo e do nazismo. Durante a ocupação da França pelos nazistas, muito embora não tenha sido molestado ou perseguido por esses regimes, isolou-se completamente e, recluso, escreveu algumas de suas obras. Como militante pacifista, inspirou-se, também, na vida de Gandhi, de quem foi biógrafo . Sua extrema capacidade era admirada por Sigmund Freud, seu amigo, a tal ponto que, a propósito de um comentário que ele lhe fizera ao seu livro "O Futuro de Uma Ilusão", lamentando a não abordagem do tema da origem o sentimento religioso, ao escrever a continuidade dele, "O mal-estar da Cultura", insere nele essa colocação do seu amigo e tece, no seu contexto, uma tese sobre o assunto.
Stefan Zweig, seu contemporâneo, diz-nos sobre Rolland :
"Tocava piano admiravelmente, com uma suavidade que, para mim, é inesquecível, acariciando o teclado como se quisesse tirar dele os sons não pela força, mas apenas pela sedução. Nenhum virtuose - e ouvi nos círculos mais fechados Max Reger, Busoni, Bruno Walter - me proporcionou, a esse respeito, o sentimento de uma comunhão imediata com os mestres amados. Seu saber nos humilhava por sua extensão e diversidade; de certa forma, como vivia através de seus olhos de leitor, detinha a literatura, a filosofia, a história, os problemas de todos os países e de todos os tempos. Conhecia cada compasso da música; as obras mais esquecidas de Galuppi, Telemann; e até compositores de sexta ou sétima ordem lhe eram familiares. Ao lado disso, participava apaixonadamente de todos os acontecimentos presentes." (In: Dicionário de Psicanálise, de Elizabeth Roudinesco e Michel Pilon, verbete da página 666) - ver mais no site :
Alguns dos seus livros : novelas - sua obra prima, a saga de "Jean-Christophe"; "A Alma Encantada", uma série de novelas políticas; dramas históricos e filosóficos -"O Triunfo da Razão"; "Danton"; "Os Lobos" (baseado no Caso Dreyfus); biografias : "Beethoven"; "Haendel"; "Miguel Angel"; "Vida de Ramakrishna"; "Vida de Vevekananda"; ensaios pacifistas: "Acima do Conflito"; "Aos povos assassinados";"Os Precursores". E sua autobiografia, intitulada "A Viagem Interior", publicada em 1956.

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