domingo, 10 de novembro de 2013

08/11/2013
                                     
Erich Fromm

              Dois pensamentos sobre os perigos para o homem moderno

O perigo do passado era que os homens fossem escravos. Mas o perigo do futuro é que os homens se transformem em robôs.
 
O homem moderno vive sob as ilusão de saber o que quer, quando, na realidade, deseja unicamente o que  socialmente se supõe que deva desejar.


ERICH FROMM :  Alemanha (1900-1980). Psicanalista, Filósofo e Sociólogo. Grande pensador dos tempos modernos. Sobre a situação do homem frente à sociedade cita-se o seguinte trecho :

"A situação humana

                  Os animais vivem em harmonia total com a natureza. Eles vivem em condições que aceitam como dadas e com as quais eles podem lidar. Em contraposição com os animais, desenvolveu-se no homem a capacidade de transcender seu ambiente, através da razão que lhe foi dada e com isso extrapolar a realidade que o cerca. Ele se elevou sobre a natureza e pode em certa medida recriá-la e dominá-la. Este seu dom dos mais elevados é ao mesmo tempo sua danação. Em palavras bem claras, ele deixa-se descrever como anomalia da natureza, pois no ser humano “a vida (...) tomou consciência de si”. Ele passa não somente a saber da aleatoriedade de sua existência, mas também da limitação de sua vida. Apesar de ainda ser parte da natureza, ele é igualmente saído dela e a harmonia entre ambos está para sempre perdida. Através desta consciência surge no ser humano um enorme sentimento de desamparo e fraqueza. Tem que viver e tomar decisões e todo passo em outra direção causa-lhe assombro, pois deixam-se estados já conhecidos e consequentemente mais seguros. O maior problema do ser é a sua pura existência (veja-se, relativamente a este ponto, igualmente o ser em si de Jean Paul Sartre). A vida humana é dominada por uma polaridade intransponível entre regressão e progressão: De um lado, a ânsia pela harmonia perdida com a natureza, que governou anteriormente em sua existência animal. De outro lado, o esforço por alcançar uma existência humana que corresponda a suas capacidades condicionadas à razão e lhe promete a solução do problema de sua existência. Este estado o leva a uma busca contínua por harmonia e impossibilita o existir estático. Estando as necessidades animais satisfeitas (fome, sono, sexo, etc), emergem as necessidades humanas no primeiro plano: ”Todas as paixões e buscas humanas são tentativas de encontrar uma resposta à sua existência ou, igualmente, poder-se-ia dizer que são tentativas de escapar ao adoecimento da alma.”
 
As necessidades básicas da alma humana
 
             Pelo papel especial do homem em relação à natureza, que o condena a uma certa falta de pátria, é especialmente importante para o homem encontrar um caminho, orientar-se no mundo e assim entrar em uma nova relação com ele. Todas paixões humanas servem no fim das contas ao propósito de diminuir a apatridia. As necessidades básicas humanas são de natureza puramente psicológica e resultam do todo da personalidade humana e de sua prática de vida empírica. Em contraposição à libido de Freud, elas não têm origem física. Para satisfazer a suas necessidades há em princípio duas possibilidades abertas ao homem, pois ele não é, do ponto de vista humanístico, bom ou mau. A existência humana esconde em si ambos caminhos como possibilidade do desenvolvimento. Sentimentos antagônicos como amor e ódio não são então grandezas que existem independentemente, mas sim têm de ser vistas como respostas à mesma pergunta. A diferença está apenas em que apenas o primeiro leva à felicidade. A seguir, as necessidades básicas humanas são apresentadas brevemente.
 

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