sexta-feira, 13 de setembro de 2013

13/09/2013
                                                          


Não se pode chamar de "valor" assassinar seus cidadãos, trair seus amigos, faltar à palavra dada, ser desapiedado, não ter religião. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória.

Maquiavel : Italiano (1469-1527). Nome completo : Niccolò di Bernardo dei Machiavelli , ou, em português,  Nicolau filho de Bernardo Machiavel, ou, resumidamente, Nicolau Maquiavel. De família tradicional  e aristocrata da Toscana, mas empobrecida, estabeleceu-se em  Florença e ali viveu a maior parte de sua vida. Filósofo, político renascentista, historiador, pensador, poeta, diplomata,  músico e conhecedor profundo de gramática, retórica e latim. Nasceu e viveu em uma época conturbada, em que os Papas corruptos guerreavam contra as Cidades-Italianas governadas por príncipes na maior parte pouco éticos, que também guerreavam entre si (pois não se dera ainda a unificação da Itália). Foi contemporâneo e conheceu  Girolano Savanarola,  o exemplo da fé cristã Renascentista, o qual foi  executado por ordem dos Médici (Giuliano e Lourenço  de Médici), cuja filosofia de vida  exaltava  os valores do paganismo. Manteve conhecimento com o ambicioso e cruel  César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, de má reputação, a quem foi mandado negociar em nome de Florença. Conheceu muitos dos príncipes e suas formas de procedimento, em um mundo deles, de guerras, traições e falta de humanidade. De tudo isso , como pensador e filósofo, retirou ensinamentos sobre o caráter do homem e seu desejo de poder e de tudo que eram capazes para obtê-lo e conservá-lo , escrevendo magníficas obras sobre o assunto, sem grande preciosismo histórico mas, sem dúvida,  com profunda análise  das atitudes do homem no governo e  frente aos governados. Os mesmos Médici que executaram Savanarola e  fizeram de  Maquiavel , aos  29 anos , seu Segundo Chanceler, Conselheiro do Povo,  em  1513 o acusaram de   conspiração, prendendo-o e torturando-o. Como nada foi  provado contra ele, foi libertado. Então, por livre vontade, retirou-se em autoexílio para sua  terra "Sant'Andrea di Percussina", onde escreveu suas maiores obras, decorrentes das profundas  análises de acontecimentos históricos e políticos desde a antiguidade, e  de suas vivências, além das informações de amigos políticos com quem continuou a se corresponder, sempre centrando sua  visão sobre a atitude humana nos acontecimentos  das épocas - filosoficamente, concluiu pela  imutabilidade da natureza humana,(*) escrevendo  em torno dessa perspectiva, colocando em realce  como o homem se comporta sem ética para obtenção de seus fins, ou seja, obtenção e conservação do poder mundano.
 
Principais obras e interpretações : "O Príncipe" (1513), "Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio"(1513/21), "A Arte da Guerra" (1517/20) e a peça "A Mandrágora" (1518). Poucos autores fizeram uma obra de tão estrondosa  repercussão : em sua época todos se centraram apenas em "O Príncipe",  sem analisar o seu  contexto  em comparação com as demais, e entenderam que ali estava retratado não o caráter do ser humano analisado frente ao poder, mas, sim o caráter de Maquiavel. Mais tarde, com um maior conhecimento das outras obras, esse pensamento foi corrigido e entendida a genialidade do autor, ao colocar em príncipes e principados imaginários os valores destorcidos que presenciara em todos com quem convivera -  e que não foram poucos.
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(*) "Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos querem obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. A natureza humana também não se alteraria ao longo da história fazendo com que seus contemporâneos agissem da mesma maneira que os antigos romanos e que a história dessa e de outras civilizações servissem de exemplo. ... Como consequência acha inútil imaginar Estados utópicos, visto que nunca antes postos em prática e prefere pensar no real. Sem querer com isso dizer que os seres humanos ajam sempre de forma má, pois isso causaria o fim da sociedade, baseada em um acordo entre os cidadãos. Ele quer dizer que o governante não pode esperar o melhor dos homens ou que estes ajam segundo o que se espera deles.
 
No presente, as análises feitas procuram levar em conta principalmente os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e sua A Arte da Guerra, contextualizando seus escritos e declarando que Maquiavel não inventou uma teoria política, apenas descreveu as práticas que viu, refletindo sobre elas."  http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel

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