quinta-feira, 19 de setembro de 2013

19/09/2013
                                               

 1. Ninguém pode escolher os próprios pais ou a pátria, mas cada um pode moldar sua personalidade pela educação.

2. Toda educação saudável é uma educação sem controle religioso.

Erasmo de Roterdã : Neerlandês - Países Baixos, atual território da Holanda(1466-1536). Seu nome de nascimento  era Gerrit Gerritszoon ou Herasmus Gerritszoon (em latim Desiderius Erasmus Roterodamus). Mais tarde passou a adotar o nome literário  de Erasmo, um santo que viveu antes dele,  seguido de sua cidade natal, Roterdã. Filósofo, Teólogo , Humanista e Escritor. Filho ilegítimo de um padre, sabe-se que os pais  o cuidaram com muito carinho, até virem a morrer vítimas da "peste negra" em 1483. Foi educado com os monges agostinianos e ali fez os votos monásticos, aos 25 anos de idade. Aos 26 foi para Paris, onde ficou hospedado no Collège Montaigu, enquanto cursava a Universidade de Paris, local de concentração da  nata dos intelectuais da época que vieram a construir uma nova filosofia de vida no Ocidente,  o "Humanismo" , tendo se aliado a eles, tornando-se um dos seus maiores expoentes. Não suportando o regime de austeridade dos frades do Collège, foi viver sozinho, sobrevivendo com as aulas que ministrava e  elaboração de compêndios de latim que escrevia.  Conheceu toda a Europa, inclusive Portugal, mas os principais centros de suas atividades foram Paris, Lovaina, Roterdã e Basileia. Em 1499 foi para a Inglaterra , tendo ficado hospedado na residência de Thomas More, onde escreveu sua obra-prima, o livro "Elogio da Loucura". 
 
Personalidade independente e inovadora, apesar de ser extremamente católico, teve ousadia suficiente para  rebelar-se  contra o domínio da Igreja  em relação à educação, à cultura e à ciência, o que era muito perigoso à época e poucas personalidades  chegaram a fazê-lo. Levava a efeito  palestras  públicas sobre esse tema e escrevia e editava obras sobre o mesmo, apresentando as suas inovadoras ideias, da separação da educação da religiosidade. Influenciou muito o pensamento europeu da época e contribuiu para a  separação entre a  Teologia e a  Ciência, que se operou  formalmente  entre o final da Idade Média e o início da Moderna. E foi então acusado de ter influenciado Martinho Lutero a separar-se da Igreja, tendo sido obrigado, dada a sua  fidelidade à sua religião,  e para demonstrá-la de público, a manter debates  com ele, durante toda a sua vida, estando, assim, comprovada a sua distância em relação ao  fundador do Luteranismo. Na Inglaterra foi professor da Universidade  de Cambridge, onde ministrava Filosofia, inclusive para nobres da Corte. Naquele país fez grandes amizades para a vida toda, como   John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn ; na Itália, quando residiu em Veneza, além de associar-se com o filósofo natural  Giulio Camillo, passou parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manatius, um dos mais influentes editores europeus. Dada sua independência intelectual (chegou a recusar várias honrarias e comendas para conservá-la), foi muito perseguido  por aqueles que não concordavam com suas ideias, colocadas nas suas obras literárias e, afinal,  foi para a Suíça, passando  o restante dos seus dias em Basileia, onde ficou completamente livre e protegido de seus  perseguidores, podendo com tranquilidade exercer suas  atividades.
 
Erasmo foi o mais influente não italiano  da corrente de pensamento denominada Humanismo, que se desenvolveu  a partir do  norte da Itália, a partir do "antropocentrismo",  no qual se destacou  a influência Leonardo da Vinci, com a apresentação do seu célebre "Homem de Vitrúvio".
 
"Ele era o intelectual mais respeitado e prestigiado de seu tempo e sempre esteve ligado aos círculos de poder europeus”, diz Cézar de Alencar Arnaut de Toledo, professor da Universidade Estadual de Maringá. 
 
 Obras literárias mais conhecidas : há várias obras-primas, mas a principal foi "Laus Stultitiae" ("Elogio da Loucura", em português), escrita em 1509 e que ele dedicou ao seu grande amigo, Sir  Thomas More. Dez colunas do catálogo da "British Library" estão ocupados com a mera enumeração de suas obras e subsequentes reedições. Dentre elas destacam-se ainda   a tradução, a edição e comentários das obras dos grandes mestres da teologia cristã e da filosofia clássica, como   Santo Ambrósio de Milão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Basílio de Cesareia, São João Crisóstomo, Cícero, e Jerônimo de Estridão.

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