quinta-feira, 3 de outubro de 2013

03/10/2013  



Um homem não é apenas aquilo que está compreendido entre os pés e a cabeça.

WALT WHITMAN : Estadunidense (1819-1892). Poeta, Ensaísta e Jornalista. É considerado por muitos estudiosos como o "pai do verso livre". Paulo Leminski (*) o classifica  o "grande poeta da Revolução Americana", assim como Maiakovsky seria o "grande poeta da Revolução Russa". Os seus versos  eram livres, brancos, com uma rítmica  imitando o ritmo  da fala.
 
Sua obra : Passou grande parte de sua vida editando e reeditando o Livro "Leaves of Grass"  ("Folhas da Relva", no Brasil), a sua  "magnum opus". A primeira edição, feita por ele  entre 1848-1849, sem declinar o nome do autor, era composta de  12 poemas,  a segunda por  32, com a inclusão do célebre "Song of Myself" ("Canto de Mim Mesmo", no Brasil); na terceira, de 1860,  havia 154 poemas e, em 1876 já contava com dois volumes. Em várias  reedições aparece o famoso  poema "Passage to India" ("Passagem para a Índia", no Brasil).  Outro conhecido livro é  "Drum Taps", de 1865, sem tradução desse título em português, com  53 poemas sobre a Guerra Civil Americana  e sua experiência como voluntário . Outros livros célebres :  "November Boughs" ("Galhos das árvores em Novembro", em português) , "Complete Poems and Prose of Walt Whitman" ("Poemas e Prosa  Completos de Walt Whitman", no Brasil)  e o publicado após sua morte, com poemas póstumos : "Old Age Echoes".
 
No "Leaves of Grass" os poemas são visionários com traços de panteísmo (**) e ideal de unidade  cósmica  na representação do Eu. No "Drum-Taps" encontra-se um Whitman amadurecido  pelo grande trauma da guerra da Secessão Norte-Americana, da qual participou como voluntário e pode ver os horrores das batalhas, o que lhe trouxe um envelhecimento súbito e precoce.
 
Walt Whitman influenciou vários poetas, incluindo-se Fernando Pessoa, que escreveu um poema em sua homenagem, intitulado "Saudação a Walt Whitman". Teve celebração internacional quando seus poemas participaram do roteiro do filme "Sociedade dos Poetas Mortos".
 
 Abaixo,  transcrevo a parte 6 do Poema "Canto de Mim Mesmo", composto de 52 partes, que, na realidade, são 52 maravilhosos poemas,  guardando uma sequência entre si (Tradução de  Alita Sodré, 1959)   in

 
                                                                        6

                               Que é a grama? Disse uma criança, trazendo-me um punhado dela,

                               Como lhe poderei eu responder? Tampouco sei o que ela é.

                               Suponho que seja a bandeira do meu temperamento tecida com a substância verde

                              da esperança.

                              Ou suponho que seja o lenço de Deus,

                              Uma dádiva perfumada ou uma recordação deixada cair propositadamente,

                             Trazendo o nome do possuidor num lugar qualquer de suas bordas, para que se possa

                             ver, notar e dizer – De quem é?

                             Suponho também que a grama seja, ela própria, uma criança, o recém-nascido do

                             mundo vegetal,

                            Ou uma mensagem uniforme,

                            Cujo significado é o de nascer do mesmo modo, em lugares grandes e pequenos,

                            E de crescer entre pretos e brancos,

                            Entre canadenses, virginianos, congressistas, negros, a todos ofereço o mesmo e

                            de todos recebo o mesmo.

                            E, agora, ela me parece a bela cabeleira não aparada dos túmulos.

                           Cuidarei de ti, grama crespa,

                           Talvez tenha brotado do peito dos jovens,

                           Que eu teria amado, se os tivesse conhecido,

                           Ou talvez dos anciãos, ou dos recém-nascidos arrebatados do regaço das mães,

                           E aqui és o regaço de todas as mãos.

                           Esta grama é de um verde muito intenso para que se tenha originado das

                           cabeleiras brancas das velhas mães,

                           Mais intenso que as barbas encanecidas dos velhos,

                          Verde de mais para provir de abóbadas descoloridas das bocas.

                          Desejaria saber traduzir as alusões sobre as jovens e os jovens mortos,

                          E as alusões sobre velhos, sobre mães e sobre os recém-nascidos arrebatados de

                          seu regaço.

                         Que achas que foi feito dos jovens e dos velhos?

                         Que achas que foi feito das mulheres e das crianças?
 
                         Eles estão vivos e felizes em algum lugar,

                         O menor rebento prova que, realmente, não existe morte,

                         E, se existiu alguma vez, foi para dar prosseguimento à vida e não espera o fim

                         para detê-la,

                         E cessou no momento em que a vida surgiu.

                        Tudo avança e se exterioriza, nada perece,

                        E morrer é diferente do que se supõe, e muito mais agradável.
 
___ 
 (*) Paulo Leminski : Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Leminski
 

 (**) Panteísmo : O panteísmo é a crença de que absolutamente tudo e todos compõem um Deus abrangente e imanente, ou que o Universo (ou a Natureza) e Deus são idênticos. Sendo assim, os adeptos dessa posição, os panteístas, não acreditam num deus pessoal, antropomórfico ou criador. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%ADsmo  

Um comentário:

  1. olá infelizmente a página com o poema completo foi excluida. Onde eu posso encontrar com essa mesma tradução?

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