Todas as religiões primitivas, de acordo com o caráter dos povos, tiveram deuses guerreiros que combatiam à frente dos exércitos. O Jeová dos Hebreus lhes fornecia mil meios de exterminarem seus inimigos; recompensava-os pela vitória ou punia-os pela derrota. Segundo a ideia que se fazia de Deus, acreditava-se honrá-lo ou apaziguá-lo com o sangue dos animais ou dos homens : daí os sacrifícios ensanguentados que desempenharam tão grande papel em todas as religiões antigas. Os Judeus haviam abolido os sacrifícios humanos; os Cristãos, malgrado os ensinamentos do Cristo, acreditaram , por longo tempo, honrar o Criador , entregando-se , por milhares, à chama e às torturas, aqueles a quem chamavam heréticos; eram, sob uma outra forma, verdadeiros sacrifícios humanos, uma vez que o faziam para maior glória de Deus, e com o acompanhamento de cerimônias religiosas. Hoje, mesmo, invocam ainda o Deus dos Exércitos antes do combate e o glorificam depois da vitória, e isso, frequentemente, para as causas mais injustas e as mais anticristãs.
Quanto o homem é lento para se desfazer dos seus preconceitos, dos seus hábitos, das suas ideias primitivas! Quarenta séculos nos separam de Moisés, e nossa geração cristã vê ainda traços dos antigos usos bárbaros consagrados , ou, pelo menos, aprovados pela religião atual! Foi preciso o poder da opinião dos não-ortodoxos , daqueles que foram considerados heréticos, para por termo às fogueiras, e fazer compreender a verdadeira grandeza de Deus. Mas, à falta das fogueiras, as perseguições materiais e morais estão ainda em pleno vigor, assim como a ideia de um Deus cruel está arraigada no homem. Alimentado pelos sentimentos que lhe foram inculcados na infância, pode o homem se espantar de que o Deus que se lhe apresenta, como honrado por atos bárbaros, condene a torturas eternas, e veja, sem piedade, os sofrimentos dos condenados? (*)
ALLAN KARDEC : Francês (1804-1869) .Sistematizador da Doutrina Espírita. Seu verdadeiro nome era Hippolyte Léon Denizard Rivail . Escolheu esse pseudônimo para diferenciar seus trabalhos sobre o estudo e a sistematização da doutrina espírita, dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Algumas fontes atribuem essa escolha por ter sido revelado a ele por um espírito que esse seria o seu nome, quando, juntamente com ele vivia entre os druidas, na Gália, em tempos antigos.
Bacharel em Ciências e Letras, era Membro da Real Academia de Ciências Naturais da França, pelos seus trabalhos em prol da educação, dedicou-se, durante sua vida, ao estudo profundo das religiões ocidentais. De sua vida nessa fase, vejamos a citação seguinte, que demonstra o elevado espírito de harmonia e amor ao próximo que lhe era peculiar :
Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês. (**)
Em sua despedida ao amigo Kardec, que falecera , disse Camille Flammarion , célebre astrônomo francês :
Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista! (***)
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Algumas de suas obras como pedagogo : "Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública" (premiado pela Academia Real de Arras); Programa dos Cursos Ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia"; "Ditados Normais dos Exames da Municipalidade e da Sorbonne"; "Ditados Especiais sobre as dificuldades Ortográficas".
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(*) In "O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, Ed. Ide, trad. Salvador Gentile, 2005, pág. 63.
(**) e (***) In http://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec

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