segunda-feira, 21 de outubro de 2013

19/10/2013

                                  


1. Opor  uma tradição  a outra pode conduzir ao sectarismo e a guerras de religiões, vocês o sabem. Mas se não se deve opor, tampouco se deve misturar. O impasse do sincretismo é tão fatal quanto o do sectarismo. O sincretismo consiste em querer construir um veículo tomando emprestados o volante de uma bicicleta, as rodas de um caminhão e a carcaça de uma locomotiva. Não estou certo de que tal veículo poderá ir muito longe.(*)

2. Todos os homens que têm uma flor no seu jardim e não olham a flor não estão em paz.

3. O cristão não é alguém que tem a verdade, alguém mais inteligente, mais amante do que os outros. O cristão não é melhor do que um outro homem, mas tem alguém em sua vida. Tem o Cristo, aquele que sopra no sopro de cada um dos seus dias.     Mas, mesmo que o receba como um beijo, como uma presença, não é por isto que o cristão é melhor. Ele poderá ser melhor somente porque alguém melhor marcha com ele e está nele!
 
 
JEAN-YVES LELOUP : Francês ( 1950 - vivo). Escritor, Filósofo, Teólogo e Padre Ortodoxo. Embora engajado na sua tradição religiosa, ele trabalha no sentido de  uma abertura  para as outras espiritualidades, como o budismo, o hinduísmo, o judaísmo e o islam. Entende serem muito importantes  as práticas corporais, como  a meditação e a prece do coração  ("Hésychasme", em português "Hesicasmo").(**) Ele se interessa  também na mesma intensidade pelo papel do "feminino na  espiritualidade".
 
Leloup desenvolveu a Psicologia Transpessoal, que integra a  "Psicologia Iniciática", de Graf Durkein , onde se encontra também  o pensamento de Maslow  e os seus conhecimentos próprios da tradição  do Helicasmo aplicado à Psicologia. A abordagem Transpessoal , por propiciar uma interlocução maior  para o ser humano do século XXI, tem crescido em interesse em nossos dias.
 
Algumas de suas obras publicadas : "Amar... apesar de tudo", "Deserto, Desertos", "A Sabedoria do Salgueiro" , "João da Cruz, ou a noite habilitada", "Se minha casa pegasse fogo, eu salvaria o fogo", "Nomes de Deuses", "Palavras das Fontes", "Enraizamento & Abertura", "Além da Luz e da Sombra: Sobre o Viver, o Morrer e o Ser", "Judas e Jesus", "Seitas, Igrejas e Religiões: Elementos para um Discernimento Espí", "A Vida Em Jesus Cristo - Segundo Nicolau Cabasilas e Santo Tomás De Aquino".

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(*) In "O Novo Paradigma Holístico - Ciência, Filosofia , Arte e Mística", organizado por Dênis M.S. Brandão e Roberto Crema, ed. Summus Editorial,1991.
(**) Hesicasmo (em grego: ἡσυχασμός; transl.: hesychasmos, derivado de ἡσυχία, hesychia, "quietude, quieto, silêncio") é uma tradição de oração solitária na Igreja Ortodoxa e em algumas Igrejas Católicas Orientais, com as que seguem o rito bizantino, praticada pelo chamado hesicasta (Ἡσυχαστής, hesychastes).
Baseado no ordenamento de Cristo no Evangelho de Mateus («... entra no teu quarto e, fechada a porta, ora a teu Pai que está em secreto...» (Mateus 6:6)), o Hesicasmo tradicionalmente é definido como o processo de retiro interior pela cessação dos sentidos com o objetivo de obter um conhecimento experimental de Deus
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Kallistos Ware distingue cinco diferentes sentidos para o termo "Hesicasmo" :
  1. "Vida solitária", um sentido equivalente a "vida eremita", utilizado desde o século IV;
  2. "A prática da oração interior, com o objetivo de obter a união com Deus num nível além das imagens, conceitos e linguagem", um sentido encontrado nas obras de Evágrio do Ponto (345-399), Máximo, o Confessor (ca. 580-662) e Simão, o Novo Teólogo (949-1022);
  3. "A busca da união com Deus através da Oração de Jesus", cuja referência mais antiga é encontrada em Diádoco de Photiki (ca. 450);
  4. "Uma técnica psicossomática em particular combinada com a Oração de Jesus", sentido que remonta pelo menos até o século XIII;
  5. "A teologia de Gregório Palamas", sobre a qual veja Palamismo    
                       http://pt.wikipedia.org/wiki/Hesicasmo

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