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| Quadro de Jacques-Louis David, pintado em 1773 "Morte de Sêneca" |
Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e, longe de se conduzirem , deixam-se levar pelos primeiros.
SÊNECA : Romano (4 a.C. - 65 d.C.). Seu nome completo : Lúcio Aneu Sêneca ( em latim Lucius Annaeus Seneca. Advogado, Escritor e Intelectual, um dos mais célebres do antigo Império Romano, é conhecido como Sêneca, o Moço, ou o Filósofo, ou o Jovem. É cotado como um dos mais ilustres representantes da intelectualidade romana, juntamente com Cícero e Marco Aurélio. Pertenceu à Escola Filosófica do Estoicismo (*) e sua obra foi tida como a obra-modelo da mesma - foi essa obra (literária e filosófica ) de Sêneca que inspirou o movimento da tragédia e da dramaturgia europeias, além de ter inspirado filosofias religiosas de fundo cristão.
Foi preceptor de Nero e, depois deste se tornar Imperador, aos 17 anos de idade, foi o seu mais importante conselheiro, procurando levar o jovem a um governo humanitário e controlar suas ideias e atitudes desvirtuantes. Com o passar do tempo Nero foi se distanciando dos conselhos do sábio filósofo e, mais tarde, acusou-o de participar de uma conspiração para a sua morte , a chamada "Conspiração de Pisão", e, em consequência, Sêneca foi obrigado a praticar o suicídio, uma morte assemelhada à de Sócrates, também um grande filósofo, da Grécia.
Filho de família abastada e ilustre de Roma, possuidor de fortuna pessoal, vivia de forma muito simples - embora com conforto, vivia modestamente, bebia apenas água, comia pouco e dormia sobre um colchão duro. Conhecedor profundo de todas as filosofias da época, elaborou a sua própria Filosofia, da qual fez o seu sistema de vida . Não via contradição entre a sua filosofia estoica e a sua riqueza material : entendia que o sábio não era obrigado a viver em pobreza, desde que houvesse ganho o seu dinheiro honestamente, mas, ao mesmo tempo, deveria ser capaz de renunciar a ela. Via, no cumprimento do dever, um serviço à humanidade. Inteligente , de notável capacidade de escrever bem, era também dotado de um senso de humor e de uma curiosidade científica sobre os fatos da natureza. Escreveu obras monumentais sobre todos esses temas, com um estilo que agrada e prende o leitor.
Contemporâneo de Jesus Cristo, não faz referências a seus feitos milagrosos em suas obras. Mas, segundo Jerônimo (São Jerônimo, padre e apologista cristão ilírio), Sêneca mantinha correspondência com o Apóstolo Paulo. Suas ideias filosóficas eram assemelhadas às do cristianismo, e alguns autores chegam a afirmar que seus pensamentos inspiraram os princípios estabelecidos nessa religião. Em sua obra intitulada "Epistolae Marales", considerada a de maior profundidade, prega a fraternidade universal, semelhante aos princípios filosóficos cristãos. É certo que seu irmão, Lúcio Júnio Gálio, procônsul na Aqueia, ali se encontrou e manteve contato pessoal, no ano 53 de nossa era, com o Apóstolo Paulo.
Outras obras, algumas dentre as muitas importantes de Sêneca : De Beneficiis ( "Sobre os Benefícios") ; Apocolocyntosis divi Claudii ("Transformação do Divino Cláudio em Abóbora"), uma crítica ao autoritarismo desse Imperador que, injustamente o houvera condenado a um exílio na Córsega, onde passou muitas necessidades e depois de sua morte retornou ; Consolationes ("Consolos), três dos seus principais tratados filosóficos ; Naturales quaestiones ("Problemas Naturais"), uma compilação científica; De Clementia - João Calvino fez , da análise desse livro, o objeto do primeiro que escreveu e é certo que Sêneca muito o influenciou no estabelecimento das bases da religião iniciada por ele, o Calvinismo; os tratados De tranquillitate animi ("Sobre a tranquilidade da alma"), e De vita beata ("Sobre a vida beata"); De Ira ("Sobre a Ira"), um tratado sobre as origens e as formas de controle da ira.
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(*) O estoicismo propõe se viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem sábio obedece à lei natural, reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo, assim, manter a serenidade perante tanto as tragédias quanto as coisas boas. A partir disso, surgem duas consequências éticas: deve-se "viver conforme a natureza": sendo a natureza essencialmente o logos, essa máxima é prescrição para se viver de acordo com a razão. Sendo a razão aquilo por meio do que o homem torna-se livre e feliz, o homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objetos externos, mas usando estes objetos através de uma sabedoria pela qual não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas.
Os estoicos preocupavam-se com a relação activa entre o determinismo cósmico e a liberdade humana, e com a crença de que é virtuoso manter uma vontade (denominada prohairesis) que esteja de acordo com a natureza. Por causa disso, os estoicos apresentaram a sua filosofia como um modo de vida, e pensavam que a melhor indicação da filosofia de uma pessoa não era o que teria dito mas como se teria comportado.

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