segunda-feira, 14 de outubro de 2013

09/10/2013

Quadro de  Jacques-Louis David, pintado em 1773
"Morte de Sêneca"
                                 
                                           
Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e, longe de se conduzirem , deixam-se  levar pelos primeiros.


SÊNECA : Romano (4 a.C. - 65 d.C.). Seu nome completo : Lúcio Aneu Sêneca ( em latim Lucius Annaeus Seneca. Advogado, Escritor e Intelectual, um dos mais célebres do antigo Império Romano, é conhecido  como Sêneca, o Moço, ou  o Filósofo, ou o Jovem.   É cotado  como  um dos mais ilustres representantes da intelectualidade romana, juntamente  com Cícero e Marco Aurélio. Pertenceu à Escola  Filosófica do Estoicismo (*) e sua obra foi tida como  a obra-modelo  da mesma -  foi essa obra (literária e filosófica ) de Sêneca que  inspirou o movimento  da tragédia e da dramaturgia  europeias, além de ter inspirado filosofias  religiosas de fundo cristão.

Foi preceptor de Nero e, depois deste se tornar Imperador, aos 17 anos de idade,  foi o seu mais importante conselheiro, procurando  levar o jovem  a um governo humanitário e controlar suas ideias e atitudes desvirtuantes. Com o passar do tempo Nero foi se distanciando dos conselhos do sábio filósofo e, mais tarde, acusou-o de participar de uma conspiração para a sua morte , a chamada "Conspiração de Pisão", e, em consequência, Sêneca  foi obrigado a praticar o suicídio, uma morte assemelhada à de  Sócrates, também um grande filósofo, da Grécia.

Filho de família abastada e ilustre de Roma, possuidor de fortuna pessoal, vivia  de forma muito simples -  embora com conforto, vivia modestamente,  bebia apenas água, comia pouco e dormia sobre um colchão duro.  Conhecedor profundo de todas as filosofias da época, elaborou  a sua própria  Filosofia,  da qual fez o seu  sistema de vida .  Não via contradição entre a sua filosofia estoica e a sua riqueza material : entendia que o sábio não era obrigado a viver em pobreza, desde que houvesse ganho o seu dinheiro honestamente, mas, ao mesmo tempo,  deveria ser capaz de renunciar  a ela. Via, no cumprimento do dever, um serviço à humanidade. Inteligente , de notável  capacidade de escrever bem, era também dotado de um senso  de humor e de uma curiosidade científica sobre os fatos da natureza. Escreveu obras monumentais sobre todos esses temas, com um estilo que agrada e prende o leitor.

Contemporâneo de Jesus Cristo, não faz referências a seus feitos milagrosos em suas obras. Mas, segundo Jerônimo (São Jerônimo, padre e apologista cristão ilírio), Sêneca  mantinha correspondência com o Apóstolo Paulo. Suas  ideias filosóficas  eram  assemelhadas  às do cristianismo, e alguns autores  chegam a  afirmar que  seus pensamentos inspiraram os princípios estabelecidos nessa religião.  Em sua obra intitulada "Epistolae Marales",  considerada a  de maior profundidade, prega a fraternidade universal,  semelhante aos  princípios filosóficos cristãos. É certo que seu irmão, Lúcio Júnio Gálio, procônsul  na Aqueia, ali se encontrou e manteve contato pessoal,  no ano 53 de nossa era, com o Apóstolo Paulo.

Outras obras, algumas dentre as muitas importantes de Sêneca : De Beneficiis ( "Sobre os Benefícios")  ;  Apocolocyntosis divi Claudii ("Transformação do Divino Cláudio em Abóbora"), uma crítica ao autoritarismo desse Imperador que, injustamente o houvera condenado a   um exílio na Córsega, onde passou muitas necessidades e depois de sua morte retornou ; Consolationes ("Consolos), três dos seus principais tratados filosóficos ; Naturales quaestiones ("Problemas Naturais"), uma compilação científica; De Clementia - João Calvino fez , da análise desse livro, o objeto do primeiro que escreveu e é certo que Sêneca muito o influenciou no estabelecimento das bases da religião iniciada por ele, o Calvinismo; os tratados De tranquillitate animi ("Sobre a tranquilidade da alma"),  e De vita beata ("Sobre a vida beata"); De Ira ("Sobre a Ira"), um tratado sobre as origens e as formas de controle da ira.
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 (*) O estoicismo propõe se viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem sábio obedece à lei natural, reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo, assim, manter a serenidade perante tanto as tragédias quanto as coisas boas. A partir disso, surgem duas consequências éticas: deve-se "viver conforme a natureza": sendo a natureza essencialmente o logos, essa máxima é prescrição para se viver de acordo com a razão. Sendo a razão aquilo por meio do que o homem torna-se livre e feliz, o homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objetos externos, mas usando estes objetos através de uma sabedoria pela qual não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas.
 
Os estoicos preocupavam-se com a relação activa entre o determinismo cósmico e a liberdade humana, e com a crença de que é virtuoso manter uma vontade (denominada prohairesis) que esteja de acordo com a natureza. Por causa disso, os estoicos apresentaram a sua filosofia como um modo de vida, e pensavam que a melhor indicação da filosofia de uma pessoa não era o que teria dito mas como se teria comportado.

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