segunda-feira, 14 de outubro de 2013

14/10/2013
                                          


O remorso é a única dor da alma que nem a reflexão nem o tempo atenuam.

MADAME DE STAËL :  Francesa (1766-1817). Romancista e Ensaísta. Nome completo : Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein,  foi uma figura proeminente do Iluminismo Europeu.  De família abastada, bela e  de inteligência vivaz,  desde criança, costumava frequentar os salões de apresentações culturais de seus pais, suíços moradores de Paris - ali já demonstrava a sua mais  atraente qualidade : uma viva  curiosidade intelectual. O pai era um banqueiro de Genebra, que se tornou ministro das finanças do rei Luís XVI e, sua mãe, filha de um pastor franco-suíço, possuía um brilhante  e bem  frequentado salão de literatura e política, onde recebia  nobres , intelectuais  e políticos da época .
 
Ativista política : Seu pai, admirador de Montesquieu, a influenciou em suas ideias  sobre formas de governo,  adotando posições políticas baseadas na monarquia parlamentar inglesa, tornando-se  a favor da Revolução, e por isso sendo acusada de "jacobinismo". Contudo, a proteção do  "status" diplomático do seu marido a livrava de processos, mas isso durou apenas até  1793, quando se refugiou na Suíça. No final de  1794, quando terminara o Terror, ela retornou. E uma nova fase intelectual foi iniciada,  tendo sido um período brilhante para ela. O seu salão tornou-se um dos mais importantes de Paris e ela publicou vários ensaios políticos e literários, dentre eles o "De l'influence des passions sur le bonheur des individus et des nations", em 1796 ("Um tratado sobre a influência das paixões sobre a felicidade dos indivíduos e das nações"), que é considerado um dos documentos mais importantes do Romantismo Europeu.
 
As ideias alemãs:  enquanto escrevia e se  incorporava à nata da intelectualidade francesa, a partir de 1794,  passou a estudar as ideias que  apareciam na Alemanha e leu principalmente  o crítico suíço Karl Viktor von Bonstetten, o filólogo alemão Wilhelm von Humboldt, e principalmente os irmãos August Wilhelm e Friedrich von Schlegel,  alguns dos mais influentes românticos naquele país. Por outro lado, iniciou um relacionamento amoroso, a partir de 1794, com Benjamin Constant, escritor e político, que durou aproximadamente 14 anos, tendo sido a sua maior influência  a favor da cultura germânica.
 
Algumas de suas obras :  "Sophie, ou les sentiments secrets", aos 21 anos (1786); "Jane Gray", uma tragédia inspirada por Nicholas Rowe (1790); "Lettres sur les ouvrages et le caractere de J. J. Rousseau", de 1788 ("Cartas sobre a obra e caráter de J.J.Rousseau"), livro que a fez conhecida. Da segunda fase, da volta da Suíça, pode-se citar, além do  tratado citado acima :"De la littérature considérée dans ses rapports avec les institutions sociales" ("Sobre a literatura considerada sob o ponto de visa de suas relações com as instituições sociais"; e,  ainda,  os romances "Delphine" (1802) e "Corinne" (1807), em cujo contexto coloca suas novas ideias sobre o romantismo. (*)
 
Seu banimento de Paris: foi ordenado por Napoleão em 1803, vez que  Staël já incomodava muito com o núcleo de resistência liberal que formara com Benjamin Constant e seus amigos. Durante esse período esteve na Inglaterra, onde travou ótimo relacionamento  com Lord Byron, iniciado principalmente  pelas ideias comuns anti-napoleônicas.(**)
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(*)No começo de 1800 o caráter literário e político do pensamento de Mme de Staël se definiu. Sua importância literária surgiu no texto De la littérature considérée dans ses rapports avec les institutions sociales (1800). Este trabalho complexo, embora imperfeito, é rico em novas ideias e novas perspectivas, novas pelo menos da França. A teoria fundamental, que seria atualizada e desenvolvida no positivismo de Hippolyte Taine, é que uma obra deve expressar a realidade moral e histórica, o zeitgeist, da nação em que é concebida. Ela também sustentou que os ideais nórdicos e clássicos estavam, basicamente, em oposição e assim apoiou o ideal nórdico, embora seu gosto pessoal tivesse permanecido fortemente clássico. Seus dois romances, Delphine (1802) e Corinne (1807), de certa forma ilustram suas teorias literárias; o primeiro sendo fortemente sociológico em perspectiva, enquanto o segundo mostra o embate entre mentalidades nórdicas e do sul.
 
(**) Staël também foi uma importante figura política e foi considerada pela Europa contemporânea como inimiga pessoal de Napoleão. Junto a Constant e seus amigos ela formou o núcleo de uma resistência liberal; ela tanto incomodou Napoleão que ele a baniu em 1803 para uma distância de 64 km de Paris. Coppet serviu como sua sede e, em 1804, ela começou o que ela chamou, num trabalho publicado postumamente em 1821, dos Dix Années d'exil (Dez Anos d'exílio). De dezembro de 1803 a abril 1804, ela fez uma viagem pela Alemanha, culminando com uma visita a Weimar, cidade já estabelecida como o santuário de Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich von Schiller. Em Berlim, ela conheceu August Wilhelm von Schlegel, que se tornaria, depois de 1804, seu companheiro frequente e conselheiro. Seu guia na Alemanha, no entanto, era um jovem inglês, Henry Crabb Robinson, que estava estudando em Jena. A viagem foi interrompida em 1804 pela notícia da morte de seu pai. Sua morte afetou-a profundamente, mas em 1805 ela partiu para a Itália, acompanhada por Schlegel e de Simonde Sismondi, o economista de Genebra, que foi seu guia durante a viagem.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anne_Louise_Germaine_de_Sta%C3%ABl#In.C3.ADcio_da_vida_e_da_fam.C3.ADlia

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